• 26 JAN 22
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    «Estrelas & Ouriços – Artigo opinião » A caminho do 1º ano… – Dra. Iolanda Tribuzi

    A transição do jardim de infância para o primeiro ciclo do ensino básico é um momento marcante para as crianças e para as suas famílias. Esta transição requer planeamento e uma atenção particular, pois tem impacto nos diferentes contextos da vida da criança.

    Nenhuma alteração na vida de cada criança opera de modo independente, sendo necessário uma estreita ligação entre o jardim de infância e a escola primária, bem como com o contexto familiar. De forma a potenciar competências essenciais para a escolaridade básica, a educação pré-escolar deve procurar proporcionar a todas as crianças experiências e oportunidades de aprendizagem que lhe permitam desenvolver as suas potencialidades, fortalecer a sua autoestima, autonomia e autocontrolo, criando condições favoráveis para o sucesso na etapa seguinte.

    Hoje em dia sabe-se que uma integração positiva no 1.º ciclo do ensino básico não se prende tanto com fatores de sucesso puramente académico, mas sim com a capacidade de cada criança aprender a aprender. Competências de cooperação, autoconfiança e autorregulação tornam-se essenciais nesta nova etapa.

    Não obstante, existem pré-requisitos que, quando desenvolvidos e estimulados, se constituem como bons preditores da aprendizagem formal da leitura, escrita e cálculo.

    O desenvolvimento de atividades potenciadoras da linguagem oral e da literacia, com recurso a um vocabulário diverso e complexo fomenta o aumento do léxico da criança, tornando-o mais rico e diversificado. Para além disso, atividades de estimulação da consciência fonológica, conhecimento sobre o material impresso e de competências emergentes de escrita melhoram o desempenho das crianças bem como previnem dificuldades na aprendizagem da leitura e da escrita. Assim, brincar com as palavras, fazendo jogos de divisão silábica e contagem de sílabas ou explorar um livro com a criança são momentos de partilha importantes que se podem constituir como basilares na nova etapa.

    Na área do cálculo, a vertente prática e concreta relaciona-se com o desenvolvimento da compreensão e aquisição de conceitos e procedimentos matemáticos. O sentido de número, isto é, a compreensão global e flexível dos números, das operações e suas relações, é a competência “chefe” para uma eficaz aprendizagem da matemática. Atividades como a contagem, a identificação e nomeação de números e associação número-quantidade afirmam-se essenciais nesta área.
    Deste modo, para que esta transição ocorra de forma favorável e tranquila todos os intervenientes deverão proporcionar oportunidades para que a criança possa ir explorando as noções de leitura, escrita e cálculo, brincando e refletindo, de uma forma contextualizada, funcional, motivante e, portanto, significativa.

    No caso de existirem dúvidas sobre as competências que a criança apresenta, deverá transmitir-se esta preocupação à educadora, perceber as áreas que se encontram mais fragilizadas face ao grupo e procurar uma avaliação multidisciplinar. Poderá ser necessário o acompanhamento técnico especializado que estimule alguma área mais fragilizada ou então, solicitar o adiamento na entrada para o 1.º ciclo. No caso do pedido de adiamento escolar, este deve ser requerido até 15 de maio do ano letivo imediatamente anterior àquele em que se irá requerer o adiamento. Para o efeito, os interessados devem apresentar requerimento acompanhado de parecer técnico fundamentado, o qual integra, obrigatoriamente, uma avaliação psicopedagógica da criança.

    Iolanda Anunciação Tribuzi, Técnica Superior de Educação – Núcleo das Dificuldades de Aprendizagem Específicas