• 21 MAI 21
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    «Estrelas & Ouriços – Artigo opinião » “Partilhar saberes, experiências… em prol da criança e da sua família”– Dra. Barbara Dias & Dra. Sónia Cardoso

    Quando falamos numa criança, falamos numa entidade que tem características genéticas e desenvolvimentais específicas, que está integrada em vários contextos e ambientes, ou seja, um ser biopsicossocial.

    Na presença de uma perturbação do neurodesenvolvimento, pensamos de imediato numa alteração complexa que exige uma intervenção especializada. Esta intervenção refere-se a um conjunto de terapias que procuram dar uma resposta às necessidades da criança, de acordo com os saberes e diferentes experiências de cada especialidade.

    Tal como tem vindo a ser amplamente indicado, o trabalho desenvolvido em intervenção precoce vai para além das dificuldades ao nível do desenvolvimento da criança, devendo assentar também nas preocupações da sua família e dos diferentes contextos onde está inserida.

    Para que a abordagem de intervenção vá ao encontro das reais fragilidades da criança, deverá ter como base o trabalho em equipa, no qual todos os intervenientes têm um papel igualmente importante.

    Numa primeira linha, a equipa que acompanha a criança é composta pelo seu seio familiar e pelo pediatra (e/ou médico de família). Após a procura de especialistas na área do desenvolvimento, passará a ser composta também pelos terapeutas e se estiver integrada em contexto escolar, passará a abranger também os educadores.

    Resumidamente, a equipa será constituída por todas as pessoas significativas para a criança e família.

    Um dos maiores desafios na intervenção precoce, prende-se exatamente com a capacidade de um trabalho de equipa, onde todos os intervenientes têm como finalidade um bem comum que requer cooperação. Tal como todos os trabalhos em equipa a base é muitas vezes a comunicação entre os diferentes membros da mesma. Esta comunicação deverá ser eficaz, procurando encontrar canais de comunicação que permitam:

    – Avaliar eficazmente;

    – Definir objetivos concretos e transversais aos diferentes contextos;

    – Partilhar estratégias;

    – Partilhar material;

    – Partilhar experiências;

    – Partilhar comportamentos;

    – Partilhar resultados, dificuldades, conquistas…

    A família deverá ter um papel ativo no processo, estar envolvida em todo o trabalho. Capacitar a família é o objetivo mais importante da intervenção precoce, que se poderá sobrepor à intervenção direta com a criança, que serve de suporte neste processo. Os profissionais devem contribuir com a especificidade do seu trabalho individual, da sua área de formação base, para um plano articulado de partilha de saber e de como apoiar.

    A parceria com os agentes educativos escolares é um eixo base desta equipa, onde todos têm a responsabilidade de procurar o caminho que ajude a integração e apoio no desenvolvimento destas crianças.

    É frequente que as equipas sejam constituídas por técnicos pertencentes a diferentes entidades, o que parece tornar esta dinâmica mais desafiante. Todos os intervenientes devem ter uma atitude proactiva, procurarem a proximidade mesmo que fisicamente distantes, encontrarem canais de comunicação comuns que facilitem a partilha. Todos são responsáveis pelo êxito do trabalho desenvolvido, pelas conquistas…

    A situação que estamos a viver há um ano que nos levou a todos para casa, afastando-nos fisicamente, veio mostrar-nos que a distância não é impedimento. A evolução tecnológica permitiu-nos encarar as novas tecnologias como a via para nos aproximarmos uns dos outros. Assim, a articulação de que falamos está facilitada, uma vez que, mesmo distantes fisicamente, as equipas podem manter-se unidas, coesas e com uma comunicação eficaz.

    É importante aproveitar esta base para se continuar o trabalho de equipa, procurando a divisão de tarefas em colaboração e responsabilização de todos os intervenientes para atingir os objetivos que são comuns.